o bagulho é doido

Falcão é o termo dado para aqueles que trabalham no tráfico de drogas noturno. E também é o nome do projeto do MV Bill e do Celso Athayde (produzido pela Central Única das Favelas), um panorama do crime organizado das favelas do Rio de Janeiro. O documentário foi preparado para ser exibido pela Rede Globo no programa Fantástico em 2003, mas foi cancelado por seus responsáveis, que alegaram na época questões pessoais para que o programa não fosse ao ar.
Pois bem, domingo passado o documentário foi ao ar sem cortes, com 58 minutos de duração em 3 blocos que podem ser assistidos no site do programa Fantástico.

O Documentário Falcão – Meninos do Tráfico é um relato sincero de jovens que estão envolvidos numa vida de crimes onde a perspectiva de um futuro é quase inexistente.

“Nós num é nada”

A sociedade passou a marginalizar as favelas, reduzindo a estima destes jovens e criando seres cujos valores foram trocados. E o crime preencheu o espaço vazio da vida deles. O crime se tornou algo tão valorizado que até uma criança, ao ser perguntada sobre o que desejaria ser quando crescer, respondeu:

“Quero ser bandido.”

Porque para eles, o bandido traz a proteção e o sustento, já que a maioria destes jovens perdeu o pai cedo e possivelmente morreram antes de ver seus filhos crescerem.

“Meu pai eu não conheço, não conheci até hoje.”

Já a figura da autoridade policial também é deturpada pela grande corrupção que existe. Os bandidos pagam propinas aos policiais.

“A gente paga eles (policiais) para poder trabalhar e ter nosso dinheiro”

Além disso, a violência é tratada com glamour, ter uma arma é sinal de status, poder.

“Tem meninas que não podem ver um fuzil, uma pistola que fica louca.”


O cotidiano da favela está totalmente relacionado ao tráfico. As crianças brincavam de vender e comprar drogas, usando eucalipto como maconha e armas de brinquedo.

“Só pra nos se divertir.”

Qual o futuro destes jovens? A resposta eles mesmos dão:

“Meu futuro é igual todo mundo fala. É três caminhos: cadeira de roda, ou morte ou cadeia.”

“Se morrer, nasce outro que nem eu. Ou pior. Ou melhor.”

As 90 horas de material gravado também darão origem ao filme “Falcão – O Sobrevivente” a ser lançado em 12 de outubro, dia da criança. Antes disso foi lançado o livro “Falcão – Meninos do Tráfico“, contando os bastidores das filmagens. Tudo faz parte, segundo explicam MV Bill e Celso Athayde, de um grande projeto de conscientização social que inclui ainda o lançamento do disco “Falcão” do rapper MV Bill, em 18 de maio.

“Eu não sei exatamente qual o papel desse documentário”, diz MV Bill. “Solucionar eu tenho certeza de que não é. Mas é mais um instrumento para ajudar a pensar, repensar as leis dentro do Brasil, para que as pessoas discutam e vejam se é esse mesmo o Brasil que a gente quer. Ou a gente tem um Brasil só ou tem dois ‘Brasis’. E parece que estão cuidando mais de um e esquecendo do outro. Só que o outro está crescendo e se transformando num monstro. Onde nós já perdemos o controle. Está engolindo todo mundo”.

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