Marketing Sustentável?

Ao caminhar na última quarta, próximo ao parque do Ibirapuera, me deparei com uma capa de jornal no chão. O título do anúncio dizia: O mundo está precisando mesmo de uma limpeza, e no anúncio uma famosa marca de produtos de limpeza divulgava sua nova linha sustentável.

Considero válida toda a tentativa de criar produtos mais sustentáveis, particularmente sou um consumidor cativo, que opta sempre pela compra que gera o menor impacto social. E a iniciativa do fabricante é perfeitamente válida. A Bom Bril é uma das principais anunciantes de história da propaganda brasileira, apresentando na história da sua comunicação campanhas inesquecíveis, como a série de caricaturas de personalidades, material que originou um livro que tenho como um dos preferidos da minha estante de referências.

Porém neste caso o grande problema foi a escolha da mídia. A disseminação dos jornais gratuitos, uma tendência européia, solucionou a dificuldade de comunicação através da plafetagem que foi proibida com a lei cidade limpa. Porém trouxe a tona uma face feia da população: o hábito de descartar papéis em locais errados.

Quando se faz uma campanha, deve-se integrar a mensagem junto a escolha da mídia. E falar de sustentabilidade numa mídia cujo histórico é de um meio poluidor é insustentável. Considero a Bom Bril um case histórico de comunicação de sucesso e creio que esse equivoco terá um impacto pequeno em todo o seu plano de comunicação.

O que queria debater com esse post é sobre como a sustentabilidade está inserida em nossas organizações. Nos últimos cinco anos, de apenas uma escolha de algumas empresas, este tema se tornou quase obrigatório para todas as corporações. Porém algo que se perdeu foi adequar todos os aspectos da empresa a esta realidade. Desde a processos logísticos, viagens de executivos, translados dos colaboradores, utilização de insumos até mesmo a escolha da mídia, tudo deve estar debaixo de um mesmo propósito. Se fizéssemos tanto como organizações como o que divulgamos que fazemos, com certeza viveríamos em um planeta melhor. Sustentabilidade não deve ser uma obrigação corporativa, mas deve estar inserida nos valores de uma empresa como parte de seu D.N.A.. Só assim evitaremos ruídos na mensagem como este que aconteceu.

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