Ficção, realidade e tiros

Acho que a frase mais tuitada do final de semana foi “Estão filmando o Tropa de Elite 3no Rio?”. De certa forma, o que vimos nos últimos dias foi a mídia expondo todos os detalhes do que tem tudo para ser “a maior ação policial e militar de todos os tempos no Brasil”. Tirando questões políticas, que não é o objetivo de debate deste blog sobre marketing e tendências, refleti muito sobre o fator cinema em todo este processo.

Antes de 2007, vivíamos uma grande degradação da imagem policial brasileira. Corrupção, suborno e diversos fatores transformaram a imagem do protetor para o bandido. Nas favelas, eram os marginais que davam o sustento, enquanto os policiais eram visto apenas como corruptos. Isso não mudou em 2007, mas iniciou um processo de troca de imagem graças a um filme: Tropa de Elite. Quando vazou o filme, que chegou primeiro aos camelos, diversas pessoas se depararam com corrupção, crimes cometidos por policias, mas também surgiu um super herói, um tal de Capitão Nascimento. Ele era um policial considerado “incorruptível”. Tanto que neste ano, com o lançamento do segundo filme, ele foi consagrado por revistas como o primeiro super-herói nacional.

E o que isso tem relacionado com o nosso momento histórico. A ficção influenciou a realidade e o prestigio do Capitão Nascimento chegou aos policiais verdadeiros. As pessoas começaram a ter orgulho da nossa tropa de elite. Famílias posando junto aos carros, pessoas denunciando acreditando que podem ajudar a combater traficantes, policiais sendo aplaudidos.

O cinema é uma forma de mudar a realidade. Tivemos histórias de filmes que se transformaram em projetos sociais como A Lista de Schindler que criou a Shoah Foundation para reunir as histórias dos sobreviventes do holocausto, Free Willy culminou na criação de uma fundação para cuidar da baleia protagonista do filme, Cidade de Deus que criou projetos sociais como a ONG Nós do Cinema. E agora, Tropa de Elite que contribuiu para uma nova imagem para os policiais cariocas.

Definitivamente, eles não são fanfarrões.

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