O segredo da criatividade Disney Parte 2 – Aplicação

Continuando o artigo do post anterior, vamos ver como aplicar os três perfis de Walt Disney, estudados por Mark McGuinness, coach de artistas, criativos e empreendedores.

Como você pode usar a estratégia da criatividade de Disney?

Você provavelmente já descobriu que a abordagem de Disney na criatividade não se limita aos filmes animados, na verdade é uma estratégia para obter sucesso em qualquer esforço criativo.

Todo projeto criativo precisa incorporar os três aspectos da imaginação criativa, ações praticas e refinamento crítico.

Como um indivíduo, você precisa ter algumas capacidades nos três papéis. A maioria naturalmente é mais forte em um ou dois deles, e com isso mais fraca no terceiro. O primeiro passo é ter auto-consciência para reconhecer isso. E o próximo passo é se comprometer em desenvolver as habilidades necessárias para este papel.

Por exemplo, sou naturalmente confortável no papel de sonhador e crítico, como um escritor que pensa criativamente, editor e contador de histórias. Porém eu tenho que trabalhar muito para desenvolver as perspectivas e habilidades do Realista, principalmente nas áreas de gestão, marketing e tecnologia.

Para cada trabalho que você realiza, tenha certeza que você cobre essas três bases. Estas questões poderão te ajudar:

O Sonhador

O que você está tentando realizar ou atingir?
O que excita ou inspira você?
Se você pegasse uma varinha mágica e chacoalhasse, o que você criaria? Como isso seria? O que faria com isso? Como isso te faria se sentir?

O Realista

Que recursos você precisa para fazer isso acontecer? Pessoas, investimento, materiais e tecnologia?
Qual é seu plano?
Quais obstáculos irá encarar? Como você irá superá-los?

O Crítico

No estágio crítico do projeto, saia um pouco do seu trabalho e pergunte a si mesmo:

Como isso parece? E como se parece olhando o todo? E os menores detalhes?
Como me sinto quando examino o projeto?
Como isso se aparenta ao cliente? E ao usuário? E a um membro do público? E a um especialista?
É o melhor que eu/nós podemos fazer? O que poderia fazer este projeto melhor?

Cuidado para não os papéis misturados! Eu trabalhei com um monte de criativos que bloquearam-se ao introduzirem o papel de Crítico muito cedo, antes que o Sonhador tivesse a chance de terminar o primeiro rascunho ou protótipo. O crítico estava deixando o trabalho em pedaços antes de ter mesmo sido juntado completamente! As coisas vão muito mais fáceis quando você permitir o Sonhador montar um esboço, e então permitir que o lado Crítico coloque o que tiver que dizer.
Outro problema clássico é o Sonhador que é grande no pensamento criativo, mas não tem foco na ação realista. E assim por diante, a chave é conseguir um equilíbrio dinâmico entre os diferentes papéis.

A abordagem Disneu para a criatividade em equipes

Você só pode chegar longe tentando atuar as três funções em você mesmo. Mas você poderá conseguir muito mais através de parcerias com pessoas que naturalmente complementam suas forças. Se você é um realista cabeça-dura, monte sua equipe com sonhadores e críticos.

Por exemplo, eu pode investir muito tempo estudando design gráfico, animação, codificação, redação e marketing para web, e se tornar mediano em alguns ou na maioria dessas habilidades. Mas trabalhando em equipe eu pude me beneficiar com o conhecimento em todas essas áreas da minha equipe (Tony e Brian). Uma das grandes coisas de fazer parte do Lateral Action Team (site que publicou este artigo) é que para cada coisa que fazemos, um de nós é especialista.

E claramente Disney não fez todos aqueles filmes sozinho. Ele não apenas atuou os três papéis na sua mente, ele usou eles para contrabalancear e ditar tendências para seu time. Se ele sentia que a equipe estava atolada nos detalhes, ele se tornava um lúdico sonhador; se eles estavam com perigo de se perderem fantasias distantes, ele trocava papéis e se tornava o realista.

Eu nem sei se ele chega a desenhar uma simples linha. Ouvi dizer que no seu estúdio, ele emprega centenas de artistas para fazer o trabalho. Mas eu assumo que esta direção, o constante processo de melhorias nas novas expressões, a resolução dos problemas em uma escala ascendente com aspirações para além de um sucesso comercial simples. É a direção de um artista real. E faz Disney, não o relator, mas o artista que sua seu cérebro, a mais importante personalidade nas artes gráficas desde Leonardo.

(Cartunista David Low, citação do livro The Game of Business de John McDonald)

Os filmes de Disney contem lindas artes. Mas sua abordagem criativa para o negócio de produção de filmes cresceu acima dos níveis artísticos.

O Sonhador, o Realista, o Crítico e Você

Você consegue reconhecer essa três características em você?

Qual destes papeis você se sente mais confortável?

Qual destes você considera mais desafiador?

Como são representados no seu time atual? Qual destes você pode atuar para desenvolver seu time?

O segredo da criatividade Disney Parte 1

Sou um profundo admirador de Walter Elias Disney, o mais conhecido Walt Disney. Recentemente, lendo a biografia escrita por Neal Gabler, tenho descoberto características sobre este grande empreendedor que poderiam ser aplicadas na vida de qualquer pessoa. Buscando me aprofundar no processo criativo de Disney, descobri um artigo escrito por Mark McGuinness para o site Lateral Action. Estou traduzindo e adaptando este artigo em duas partes. Abaixo você poderá ler a primeira parte, focada no conceito de três caracteristicas distintas de Disney, citadas no fantástico e extremamente recomendado livro The Illusion of Life, escrito por dois animadores da equipe Disney (Frank Thomas e Ollie Johnston).

O Segredo da Criatividade de Walt Disney (Mark McGuinness)

Quando era criança, lembro-me ter ficado chocado ao saber que Walt Disney era uma pessoa. Para mim, Disney era uma entidade misteriosa, simbolizada pelo castelo mágico que sempre aparecia a cada começo de seus filmes. Era uma mistura de uma cole oração sem rosto e uma terra encantada. Um pouco como a fábrica de chocolate do Willy Wonka.

Então para mim era difícil colocar na cabeça a ideia de que aqueles filmes eram fruto do cérebro infantil de um único homem. Isso sem mencionar os parques temáticos. Como uma simples pessoa podia ser responsável por tudo isso?

Então acabei descobrindo que a verdade era ainda mais estranha. Não era apenas um Walt Disney, existiam três. Aqui está o testemunho de alguns animadores da Disney:

“Existiam de fato três diferentes Walts: o sonhador, o realista e o spoiler (desmancha prazeres). Você nunca sabia qual destes estava vindo para sua reunião.”

(Ollie Johnstone e Frank Thomas no livro The Illusion of Life: Disney Animation)

Robert Dilts usa esta afirmação como base de uma análise brilhante sobre o processo criativo de Walt Disney em seu livro Strategies of Genius: volume 1. Ele substituiu o termo spoiler por critico, nomeando os três distintos papéis que Walt Disney atuava, cada um envolvido por ações e pensamentos particulares:

O Sonhador – o visionário que sonhava as ideias para os filmes e empreendimentos.

O Realista – o pragmático produtor que fazia as coisas acontecerem.

O Crítico – o avaliador com olhos de águia que refinava o que o sonhador e o realista produzia.

Mais importante que os papéis individuais era a habilidade de Disney em encontrar o equilíbrio certo entre eles:

“Criatividade como um processo completo envolve a coordenação destes três subprocessos : sonhador, realista e crítico. Um sonhador sem um realista não consegue transformar ideias em ações tangíveis. Um crítico e  e um sonhador sem um realista fica preso em um eterno conflito. O sonhador e um realista podem criar coisas, porém não atingirão um nível alto de qualidade sem um critico. O critico ajuda a avaliar e refinar os produtos da criatividade.”

(Robert B. Dilts, Strategies of Genius: Volume 1)

O Sonhador

Disney, como sonhador, podia visualizar cenários extraordinários, para novos projetos como para filmes animados:

“O que eu vejo é muito nebuloso para descrever. Mas parece ser grande e brilhante. E é isso que eu gosto sobre este negócio, a certeza de que sempre existe algo maior e mais emocionante ao virar da curva, e a incerteza de todo o resto.”

(Walt Disney, ‘Growing Pains’ – artigo de 1941, reimpresso no SMPTE Journal, julho de 1991)

No modo Sonhador, Disney tinha a habilidade de se imergir na sua imaginação, excluindo todo o resto:

“Quando Walt estava imergido nos pensamento, ele abaixava uma sobrancelha, apertava os olhos, deixava seu queixo cair e olhava fixamente para algum ponto no espaço, ficando assim frequentemente por um bom momento… Nenhuma palavra poderia quebrar este feitiço…”

(Ollie Johnstone e Frank Thomas, The Illusion of Life: Disney Animation)

Qualquer um com conhecimento de hipnose reconheceria na linguagem corporal de Disney indicadores de um estado de transe – um estado de pensamento na qual a o pensamento consciente foi suspenso e pensamentos involuntários da imaginação ganhavam vida. Seria interessante saber que rituais e gatilhos de criatividade ele usava para acessar o estado “sonhador” quando ele precisava.

Sem a visão sonhadora, os filmes de Disney não teriam o toque de mágica que os diferenciam.

O Realista

Disney não era apenas um pensador criativo. Como um compromissado realista, ele fazia as coisas acontecerem e até mesmo seus sonhos estavam enraizados na realidade:

“Eu definitivamente sinto que não podemos coisas fantásticas baseadas no que é real sem saber primeiro a realidade.”

(Ollie Johnstone e Frank Thomas, The Illusion of Life: Disney Animation)

O realista Disney tinha a fenomenal habilidade de motivar e coordenar times de diversos trabalhadores que traziam seus sonhos em realidade. Ele trouxe a transpiração necessária para a imaginação do sonhador:

“[Nosso sucesso] foi construído por trabalho duro e entusiasmo, integridade de propósito, uma devoção ao nosso meio, confiança no futuro e, acima de tudo, por um crescimento constante e diário no qual todos nós apenas estudamos nosso negócio e aprendemos.”

(Walt Disney, ‘Growing Pains’)

Sem um pensamento realista prático e atividades enérgicas, as realizações de Disney  não teriam sido mais do que um brilho nos olhos de um sonhador.

O Crítico

O Disney crítico submetia todas as partes do seu trabalho a uma análise rigorosa:

“Cada passo da animação bruta foi projetada na tela para análise, e cada parte foi desenhada e redesenhada até podermos dizer: ‘Este é o melhor que podemos fazer.’ Nós nos tornamos perfeccionistas, e como nada é perfeito neste negócio, nos continuamos insatisfeitos.”

(Walt Disney, ‘Growing Pains’)

O Crítico provê feedbacks contínuos e válidos ao processo criativo: como um ciclo entre Sonhador, Realista e Crítico nos diferentes estágios do processos, Disney e seu time estavam aprendendo e estendendo suas habilidades continuamente:

“.. de fato, nosso estúdio se tornou mais uma escola do que um negócio. Fomos crescendo como artesãos, através de estudo, críticas pessoais e experiências. Desta forma, as possibilidades inerentes em nosso meio foram escavadas e trazidas à luz. A cada ano nós poderíamos lidar com uma ampla gama de material de histórias. Eu afirmo que este não é genial ou até mesmo notável. Porém foi a maneira como nos construímos – suor, inteligência e amor ao trabalho.”

(Walt Disney, ‘Growing Pains’)

Sem a insatisfação perfecionista critica, Disney teria estado satisfeito de seu bom trabalho, o que qualquer empreendedor criativo que se respeita iria dizer que não era bom o suficiente.

Continua nesta semana…

O futuro chegou e está aqui agora

Após trocar o local do discurso para o povo brasileiro, e trocar o público geral para um grupo de “personalidades”, o presidente americano fez um belo discurso, onde o grande mote foi a parceria entre as duas nações. Ao ligar durante todo o discurso as histórias dos dois países da America, Obama busca ressaltar as similaridades e igualdades entre o Brasil e os Estados Unidos.

Desde o processo de independência, a luta conjunta na Segunda Guerra até as oportunidades, utilizando como exemplo o menino pobre de Pernambuco que virou presidente do Brasil, Obama abre espaço para semear suas ideias. Apesar de ‎”Nenhuma nação deve impor seus desejos sobre as outras”, Obama logo coloca a luta americana pelos direitos humanos em outros países e afirma que todas as nações devem apoiar isso.

Segundo Obama, o Brasil “… não é a nação do futuro, mas o futuro chegou e está aqui agora”. Com um belo discurso, Obama encerra citando Paulo Coelho: “Com a força do nosso amor, de nossa vontade, podemos mudar o nosso destino e o destino de muita gente.”

Sem dúvida, foi um belo discurso realizado pelo presidente americano. Com diversas citações do termo together (juntos), Obama coloca a relação entre Brasil e Estados Unidos como parceiros iguais. Resta saber se na prática essa igualdade será refletida, e o Brasil deixe de ser um país influenciado pelo Tio Sam e passe a ser tratado de forma igualitária.

 

“Onde a luz da liberdade for acesa, o mundo se torna um lugar mais brilhante”
Obama no discurso no Rio de Janeiro, 20 de Março de 2011

Obama in Rio

Gosto do Obama. O discurso de mudança que ele utilizou no processo eleitoral é um dos mais impactantes já vistos no cenário político mundial, muito próximo do I have a dream do Luther King. Também acho que na prática o desafio de restaurar a maior potência num mundo onde superpotências deixaram de existir foi subestimado. E assim, diversas deficiências de gestão foram reveladas, fazendo do Obama uma promessa maior que a realidade, até o momento. Continuo torcendo para que isso se inverta.

Porém no discurso, Barack se demonstrou um dos grandes mestres, talvez comparado ao Hitler que mobilizou milhões em prol de um ideal, mesmo que errôneo. Obama também mobilizou e mobiliza milhares de pessoas, desde o processo eleitoral. Como esquecer o famoso discurso para cerca de 200 mil pessoas em Berlim, ainda durante o processo eleitoral, onde a paz mundial foi apregoada de forma enfática e marcante:

“…o maior perigo de todos é permitir que nos dividam. O muro entre antigos aliados nos dois lados do Atlântico não pode continuar. Os muros entre raças e tribos, nativos e imigrantes, cristãos e muçulmanos e judeus não podem continuar. Esses são os muros que devemos derrubar.”

Porém o poder de mobilização dos discursos de Obama não se mostraram tão fortes como se imaginava e a popularidade do presidente americano, 6 meses depois de eleito, se igualou ao de seu antecessor.

Agora nos deparamos com a visita ao Brasil do presidente americano. E junto com isso, foi marcado um grande encontro onde ele discursará para milhares de pessoas na Cinelândia, no Rio de Janeiro, palco de famosos protestos populares contra a Ditadura Militar. O que o presidente americano tem a dizer para os Brasileiros? Para mim, mais importante do que ele irá discursar é como irá discursar. Com certeza será uma aula de retórica inesquecível e por isso estarei lá. Mas espero que da mesma forma que ele conseguiu fazer milhões de americanos acreditar que “eles podem”, que ele consiga fazer alguns brasileiros crer no grande poder do ser humano que é o poder acreditar.

Howard Ashman: A alma da fera

Howard Ashman 1950-1991

Há 20 anos falecia um dos grandes produtores e letristas dos musicais modernos: Howard Ashman. Dotado de uma incrível sensibilidade e criatividade, ele desenvolveu junto com Alan Menken trilhas sonoras inesquecíveis de grandes clássicos do cinema de animação. Premiado como uma Lenda da Disney, Ashman co-produziu com John Musker em 1989 o filme “A Pequena Sereia”. E ganhou o Oscar de melhor canção por “Under The Sea”. Foi ele quem deu ao filme um “formado Broadway” e transformou a história da sereia na retomada dos grandes clássicos Disney, revivendo o espirito do grande criador Walter Elias Disney.

Porém, paralelo a isso, um outro filme estava sem achar seu tom. A fabula da bela e a fera na França estava perdida em meio a um processo conturbado de produção. E convidado para participar da criação dessa história, Ashman deu ideias como os empregados do tal príncipe transformado em fera também serem enfeitiçados, no caso eles seriam objetos animados. E com diversas outras ideias ele se tornou o produtor executivo. Também ao lado de Menken, esse compôs uma das trilhas mais belas e tocantes de toda a história do cinema. A Bela e a Fera chegou a um patamar onde nenhum outro filme de animação chegou: ser indicado ao Oscar de Melhor Filme. Também o filme foi exibido no Festival de Cinema de Nova York, no Festival de Cannes e foi ovacionado de pé em todo o mundo.

Nos últimos meses da produção de A Bela e a Fera, Howard Ashman estava muito debilitado e teve que se dividir entre o tratamento de saúde e a produção do filme. E antes de ver o filme finalizado, no dia 14 de Março de 1991, ele faleceu por ter o vírus HIV.

Ele também deixou escrita algumas músicas para o próximo filme da Disney: Aladdin. A perda de Ashman vai além a perda de um simples compositor e produtor. Poucas pessoas apresentaram genialidade semelhante ao do próprio Walt Disney e ele era um deles. E a precocidade de sua morte também impactou os artistas da época. Por este motivo, ao final dos créditos do filme temos a seguinte dedicatória “Para o nosso amigo Howard, que deu voz a uma sereia e alma a uma fera”.

 

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